Doutorado: C, N, O e Zn em estrelas do bojo galáctico

Data: 
04/05/2017 - 13:30
Local: 
Sala 15 do IAG (Rua do Matão, 1226, Cidade Universitária)


Defesa de tese de doutorado
Aluno: Carlos Roberto da Silveira
Programa: Astronomia
Título: C, N, O e Zn em estrelas do bojo galáctico

Comissão julgadora
1) Profa. Dra. Beatriz Leonor Silveira Barbuy –IAG/USP
2) Profa. Dra. Silvia Cristina Fernandes Rossi - IAG/USP
3) Prof. Dr. Amâncio Cesar Santos Friaça –IAG/USP
4) Profa. Dra. Lucimara Pires Martins –UNICSUL/São Paulo-SP
5) Profa. Dra. Kátia Maria Leite da Cunha –ON/Rio de Janeiro-RJ
 
 
Resumo
O oxigênio e o zinco presentes nas estrelas do bojo galáctico são peças importantes para se compreender a evolução química do bojo. O oxigênio é um dos principais indicadores da evolução química do bojo. O zinco é um elemento de referência importante porque é um possível substituto ao ferro no estudo das DLAs (damped Lyman α), permitindo realizar uma comparação sobre a evolução química entre as populações estelares do bojo e as DLAs. Em relação à nucleossíıntese do zinco, este comporta-se como um elemento alfa. Estrelas pobres em metais apresentam um enriquecimento na abundância do zinco, interpretado como produzido em hipernovas.
Os objetivos desse trabalho são determinar as abundâncias do oxigênio, nitrogênio e zinco, utilizando uma amostra de 56 e 417 estrelas gigantes vermelhas tipo K do bojo galáctico observadas, respectivamente, pelo FLAMES-UVES e FLAMES-GIRAFFE montados no Very Large Telescope (VLT). As abundâncias determinadas são comparadas com outras amostras para es-
trelas do bojo bem como com estrelas do disco espesso, do disco fino e do halo e com as DLAs, permitindo-nos entender como a evolução química se desenvolve nesses sistemas. 
Os resultados encontrados para os dados UVES são [Zn/Fe] = +0.24 ± 0.02 no intervalo de −1.3 < [Fe/H] < −0.5 e [Zn/Fe] = +0.06 ± 0.02 entre −0.5 < [Fe/H] < −0.1. Entretanto, para [Fe/H] ≥ −0.1, há um espalhamento da abundância do zinco entre −0.60 < [Fe/H] < +0.15, com várias estrelas tendo [Zn/Fe] < 0.0. Apresentamos uma comparação do [Zn/Fe] com DLAs, sendo que as abundâncias do Zn e Fe nas DLAs são corrigidas pelo efeito da poeira. Desse modo, [Zn/Fe] vs. [Fe/H] para as DLAs encontra-se na mesma região que o [Zn/Fe] para as estrelas do bojo e do disco espesso. Finalmente, apresentamos um modelo de evolução química do enriquecimento do zinco para um esferóide massivo, representando a evolução de um bojo clássico. 
Em relação aos dados do GIRAFFE, determinamos as abundâncias [O/Fe] (356 estrelas), [N/Fe] (403 estrelas) e [Zn/Fe] (331 estrelas). Encontramos valores moderados de [O/Fe] para metalicidades entre −1.6 < [Fe/H] < −0.8, com uma mudança em torno de [Fe/H] ∼ −0.4. O Zn comporta-se como um elemento α, de maneira similar ao O, Si e Ca. O Mg e o Ti parecem mais abundantes que o Zn, mas com o mesmo tipo de comportamento em relação à metalicidade. Os resultados encontrados são comparados com modelos de evolução química de enriquecimento do oxigênio e do zinco em um bojo clássico.